Uma operação integrada da Polícia Civil do Amapá resultou, nesta quarta-feira (03), na prisão de dois irmãos responsáveis por abastecer facções com armas adquiridas por meio de registro de CAC. A ofensiva, conduzida pela DRACO e pela CORE, cumpriu sete mandados judiciais, entre eles duas prisões preventivas e cinco buscas domiciliares.
A ação ganhou contornos tensos logo pela manhã, quando um dos investigados tentou escapar ao perceber a chegada das equipes. Após horas de buscas, ele foi localizado e detido já no início da tarde.

As investigações apontam que o esquema funcionava de forma planejada: o irmão que possuía registro de Colecionador, Atirador e Caçador adquiria armamentos legalmente, enquanto o outro organizava pagamentos, negociava com compradores ligados ao crime organizado e fornecia sua própria casa como ponto de entrega. Pelo menos dez armas teriam sido desviadas dessa forma.

A apuração começou depois que, em maio de 2023, uma pistola 9mm apreendida com uma mulher envolvida com o tráfico foi rastreada até o CAC. Ao perceber que seria investigado, o homem tentou sustentar um falso relato de furto, registrando um boletim de ocorrência cerca de um mês após a compra, versão desmascarada pela cronologia da apreensão.
Segundo a Polícia Civil, o armamento comercializado pelos irmãos reforçava o poder bélico de facções envolvidas em crimes como assaltos, execuções e controle de áreas dominadas pelo tráfico de drogas.
O nome “Janus” foi escolhido por representar a dualidade atribuída aos suspeitos: uma face legal perante o Estado e outra dedicada ao fornecimento clandestino de armas para organizações criminosas.
A polícia agora trabalha na análise dos materiais apreendidos e não descarta novas prisões nos próximos dias.


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