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A Saúde Mental na era da pressa

Por André Romero


Nunca se falou tanto sobre saúde mental como agora. O assunto está nas redes sociais, nos ambientes de trabalho e nas conversas do cotidiano. À primeira vista, isso poderia indicar um avanço importante: finalmente estamos olhando para o sofrimento emocional
com mais seriedade. Porém, quando observamos com mais cuidado, percebemos uma contradições interessantes: enquanto o tema ganha visibilidade, o sofrimento parece
aumentar.


Vivemos em uma época marcada pela pressa, pela produtividade constante e pela exigência de felicidade permanente. E é importante ressaltar que todas essas questões, são hoje, pautas e queixas clínicas, nos atendimentos psicológicos diários. Há uma cobrança
silenciosa pra que as pessoas sejam bem-sucedidas, emocionalmente equilibradas, produtivas e ainda capazes de sustentar uma imagem de bem-estar nas redes sociais.


Nesse cenário, o sofrimento psíquico muitas vezes passa a ser tratado como um defeito
individual, algo que precisa ser rapidamente corrigido.
A psicanálise nos convida a olhar para essa questão de outra forma. O sofrimento humano
não é um erro de funcionamento da mente, mas parte da própria condição de existir.


Angústias, conflitos e contradições fazem parte da vida. O problema surge quando a sociedade passa a exigir que o sujeito funcione como uma máquina: sem falhas, sem pausas e sem questionamentos. Hoje percebemos uma tendência crescente de transformar emoções complexas em diagnósticos rápidos, equivocados e soluções imediatas. A tristeza vira um problema a
ser eliminado, a ansiedade se torna apenas um sintoma a ser silenciado, e a escuta que deveria ser o principal no cuidado com a saúde mental, muitas vezes é substituída pela pressa em resolver.


Cuidar da saúde mental não significa apenas reduzir sintomas. Significa também criar
espaços de escuta, de reflexão e de reconhecimento da singularidade de cada sujeito. Não
existe uma fórmula universal para o bem-estar psíquico, porque cada história é única. Falar sobre saúde mental, portanto, não deveria ser apenas uma tendência, mas um convitea pensar sobre a forma como estamos vivendo. Porque, no fim das contas, cuidar da mente
também implica questionar o mundo que produz tanto sofrimento